terça-feira, 26 de junho de 2012

Cabide 60º

Nas receitas prescritas de indolências, reside o cabide fotogénico que descasca camadas de astúcias.

Os trapos transportam uma espécime de violino com cordas silenciosas de lingote.

A tábua de engomar fragmenta bocejos de conversas.

O edredão mitiga as vontades irreparáveis.

O zinco do ferro apunhala línguas de fogo.

As cortinas vertiginosas dançam o tango.

Os botões fecham os olhos apenas para estarem acordados no sonho de um pesadelo vadio.

A camisola xadrez emociona-se pela solidão de um dia vivido sem paixão.

A almofada ergue-se na lona apinhada de tónico.

O vestuário inestético redobra-se em colmeia transigente da majestade recriminada pela escoliose.

sábado, 14 de abril de 2012

Quatro patas invisivel

Nada faz! Nada diz!
Limita-se a provocar murmúrios farejantes ao olhar escondido...

Olha! Esconde-se!
Quer brincar, quer descansar no seio da sua terra abatida...

Deita-se! Ali permanece!
Procura o fundo da corrente que o ali deixou ficar por covardia ou esquecimento propositado...

Palpita! Sossega!
Contagia os olhares de quem o observa com tamanha tristeza e vocação...

Parou...
Sacrificou-se por um naco de carne envenenado...

Estabilizou...
Na cova desamparada digna do diabo...!

Transe

Pousada na nuvem coberta de gotas de incerteza, curvei-me no telhado do seu tronco e soprei pausadamente sob o delírio da montanha robusta da tua face.

Desabafei a varanda dos teus pés, cobertos de salves textuais.

Inibida pela respiração ofegante, aliei-me ao doce néctar que fazias transbordar pela fonte que há muito ansiavas destinar.

Uma escada de videira foi encontrada no Oceano vincado de espasmos e, alcancei-a até ti.

Entoamos e balançamos as tépidas mãos até ao alcance dos nossos leves suspiros e circulamos em devaneios consistentes e vácuos!

Sintomas Vazios

Pedra corroída pelo tempo...
Assim sou eu!

Musgo trepando o feto...
Assim encaixo-me!

Queda floral de gnomos...
Assim sonho!

Cinza tacteando o aroma...
Assim contemplo-me!

Lama gananciosa de vidros...
Assim atiro-me!

Animal apático por cedros...
Assim descalço-me para um fim de um inicio!

domingo, 15 de janeiro de 2012

Irreprimível Desejo

Encostada à embarcação que partia rumo ao hiperbólico,a minha silhueta despiu-se pela sensualidade mística ao longo da costa demarcada do prazer!


Em desvario consciente e entusiasmado,todas as minhas encostas foram espoliadas pelo meu espírito curioso e profundo!


Imune ao sortilégio dos insensíveis ao meu sarcasmo aniquilado, a hipérbole da minha tela mal pintada impulsionou a minha estrutura óssea aos seus dedos desconectados do seu irreprimível desejo...!


Intermitente à sua constância, desistiu sem saborear as minhas gotas de orgasmo peculiar!


A embarcação recuou coada pelas palavras do passado que já em nada acreditam a não ser na ausência de fumo suado por dois corpos...!