segunda-feira, 27 de junho de 2011

Divórcio

As ideias tiranizam-me e tornam-me vítima dos pensamentos de outrem.

A minha mente divide-se e fragmenta pedaços sob as pancadas de um martelo.

Temo pelo enferrujamento cerebral.

Em fases de despersonalização,o meu ego beligerante desprende-se.

Converto o colapso num estágio preliminar.

Divorcio-me dos meus momentos de carência!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Morte Ambulante

O ambiente estava convidativo a contextos desactualizados.

Entre conversas intimistas, a perservança fez-se sobressair pela roda de celebridades antiquadas.

Fez-se silêncio...

A sua entrada fulminou murmúrios desprezíveis e decadentes.

Absurdamente deu-se início à dança traidora e hipócrita dos presentes.

Procurando a intimidade ela desfez-se numa fatalidade inocente.

Balançou no inócuo pluralizado, mas em nada generalizado...

Bebericou a sua solidão e engoliu as suas lágrimas.

Escreveu o seu pensamento ambulante na porta que a fez entrar, procurando desta forma o vocabulário prazeroso.

Num ápice, vagueou para a janela e atirou-se para a minuciosidade dos que não lêem os pensamentos!

Acto Esfoliado

Num acto inconsciente, observei-te...

Esfoliei o teu rosto com o meu olhar.

Desci mais uns centímetros e invoquei-te à minha língua gesticulada pela fome carnal.

Sorriste...

Não cedeste...

O meu olfacto percorreu o teu olhar perfumado de prazer.

Simulaste uma desconcentração ávida.

Surpreendi-te com a minha infusão bucal.

Recuaste e consentiste...

Os teus medos petrificaram a minha ausência sensual.

Escrevi no fumo do teu cigarro as vogais do teu nome.

Tocaste na minha nuca.

Com o mútuo olhar brincamos à esfoliação do acto!

Follow Me

Deparo-me com insultos majestosos à minha frontalidade.

Rio-me com as observações emitidas cada vez que me aproximo.

Gorgolejo as impressões vinculadas à minha personalidade.

Vivencio as palavras comidas pelos oculares.

Os seus comentários, adjudicam a minha auto estima.

Potencializo a poupança da minha credibilidade.

Lidero a incompetência desmedida das consultas pessoais.

Arbitro as faltas promocionadas das anti conclusões.

Recomendo que não sigam os meus passos.

Recomendo que tropecem nos seus actos!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Incompatibilidade

Perante os dias que diversificam meses, a minha rotina é intensificada pelos albuns humedecidos de odor bolorento.

As folhas nuas fotografam os meus sigilos.

A criatividade de cada imagem minha, aguarda pelo retoque da incompatibilidade.

E os anos passam...

E o livro grita desesperadamente por colo.

A capa dura esconde as minhas lágrimas.

Pela calada do momento, as minhas páginas passeiam de mão dada com as minhas letras incompreendidas.

Também o desespero passeia as fotografias lavadas.

Sinto-me como um livro habituado a que se esqueçam de lhe limpar o pó...!

sábado, 11 de junho de 2011

Hipoacúsia

Os erros peregrinos farejam os encapuçados gastos pela errante gestual.

As legendas que são ilustradas pela mímica, apenas transmitem palavras ocas.

Incapazes de escutar os conteúdos ruidosos, apalpam a visão escutada.

O cinismo aplaude acidentes sazonais às conversas que pairam no superior lateral das faces.

Todos os sentidos seguem marcha, até ao segredo nunca desvendado pelos que são incapazes de escutar!

Hetero

As Múmias inflamadas pela nostalgia de viver, embatem na frontalidade de quem anseia por um minuto de vida orgásmica.

Os galhos cerebrais emitem ressonâncias em coma.

Os olhares desviados fundem-se com as velocidades colhidas pelo animal fecundado.

Os bocejares simplórios arrastam a intimidade nua.

As inspirações alastram-se pelos mosaicos prazerosos.

Os canos virgens entopem a masculinidade efémera.

O desejo caminha de mão dada com a imaculada múmia que nada procura a não ser a feminilidade!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Sonho sem Sono

Em sonho sem sono, rodopio florestas que aguardam pela minha imersão.

Percorro muros sem flechas.

Voo com as tonalidades dos becos primaveris.

Saltito de charco em charco esverdeados de sede.

Escorrego no solo esfomeado pela lama.

Alcanço as pegadas dos carnívoros algemados pela liberdade.

Saboreio as gotas dos peixes.

Contemplo a versatilidade dos assobios pausados.

Esqueço-me que tenho de acordar!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sábios Vs Sabichões

Panos isolam os copos redondos, redimidos pela periodicidade dos andamentos esgotados.

Num momento em que as palavras são individualizadas sob os manifestos das mesas egocêntricas, o liberalismo das línguas não é intimidado pela distinta escrita organizada.

O nascimento das ideias é abortado pela versão dos mudos.

Os versos intimidados, concordam com a manifestação das prosas.

Labaredas gestuais, lançam segredos omnipotentes à escala inerente das facilidades promiscuas.

Sábios colocam os sabichões na gota dos goles oriundos de cada cálice individual!

Bacchus

Argumentos calados matam as sub consequências das idealizações personificadas.

Há quem insista no fascismo, mas os mestres que sacrificam as ideias, preferem morrer pelo satanismo.

Memórias divididas, discursam individualmente.

Os discursos memorizam os pensamentos relativos.

As concepções erram perante o distorcismo das colectividades.

Os discursos individuais, fulminam nos pés que se levantam sem movimento.

Com um término de isolamento entre espadas e ecos, as palavras sensoriais formam um aglomerado de sílabas insinuantes!

Parapente

O parapente em dedal soletra os dedos que alianças escondem.

Oceanos desertos, rumam ao topo dos verdejantes paralisados.

Quadrilhas sem principios, provocam efeitos em espuma.

Fumos voam pelos gritos contornados pelas estátuas lentas, que se movem sem precisão.

Amostras genuínas varrem os ouvidos.

Quem protege as asas sem ave, liberta o amadurecimento das forças pinceladas pelo medo.

O parapente tomba no torneio descampado.

O apreciador regressa na noite em que o rotineiro abandonou o campo das alianças!

Tronos

Certas coroas dissimulam permanências sentadas.

As poses em escravidão, fazem soar toques de rainhas.

Desenhos desinibidos, ilustram os copos desenhados pela nudez dos sorrisos.

A perplexidade dos longínquos, fazem o almoço das beatas pendentes.

Afirmações deslocam assinaturas das sobrevivências falecidas.

O tocar de lábios rodopia os dedos em esperança.

Certidões ingénuas são inertes às grandes entoações.

E assim, as afirmações continuam em estado desnorteante sob o gozo dos explosivos fabricados pelos que movem ideias incertas!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Almas Contagiadas

Nos jazigos da felicidade habitam raízes nos pés.

Relógios com corda, descem até aos felizardos.

Com toda a veracidade, uma actuação a solo é escutada por todas as campas carimbadas pela ressaca de gargalhadas.

São injectadas agulhas que têem como medicação sonos narcóticos àqueles que sonham pela alvorada.

Uma solidão benigna e exausta é exposta no meio da neblina.

O velho e decrépito guardião do cemitério, palpita com as lágrimas sumarentas dos que ali visitam.

O Sol põe-se, e aromas rústicos pairam sob o refúgio das almas alegremente contagiadas que ali descansam!