sábado, 28 de maio de 2011

Olhares Moribundos...

Sentada numa posição menos confortável, acendo um cigarro, mordisco um amendoim, aprecio vagarosamente o vinho e escuto as conversas que vão e vêm…

Do outro lado da rua, os pudores avistáveis são restritos, todavia as amantes partilham os seus devaneios sem porta…

As fugas de qualquer individuo presente, são incapacitadas pela humilde vontade de partilhar…

Observei os parapeitos de relance, estes ainda permanecem virgens…

O egoísmo vaguea pelas janelas entreabertas…

A prostituta choca perante a imunidade do pedinte que por cá passa…

Os presentes proclamam pelos fetiches em odores moribundos, e o preto entra em contra mão com o vermelho…

Orgasmos de cor encarnada sintonizam perfeita harmonia com o ballet da porta obscura…

Os meus olhos seguem os parasitas que abandonam as crianças nos ventres…

Posteriormente colos sem dono certo, passeiam pelas ruas…

Vou embora, vendo os ventos afastando as unhas rasuradas pela infelicidade de quem o prazer busca…!

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