domingo, 1 de maio de 2011

Soluços de Lucidez...

Caminhei sem rumo, sem relógio, sem pensamento. Fiz-me à estrada, procurando o desconhecido…

Sentei-me num penhasco, com caneta e papel apenas…

Quis escrever algo à Lua...

Pretendia que esta me invocasse a submergir na plateia de cores, que à minha frente avistava...


Mudei de ideias e quis rasurar na própria Lua…

Ela sorriu-me…

Repentinamente fez-se Lua fora de data...

Deixou-me á vontade para colori-la e rasurá-la conforme o meu indicador assim pretendesse…

Imaginei algo excêntrico, mas logo apercebi-me que algo simples, requer simplicidade…

Com os rasgos alaranjados e avermelhados visíveis sob a barra do Oceano, o meu olhar pincelou um tom acastanhado no que eu considero ser um fenómeno planetário…

Posteriormente, o meu coração entrou em explosão comigo mesma, e lancei labaredas vermelhas…

A Lua soltou uma lágrima…

Como um acto de magia, surpreendi-me pela leveza do meu corpo…

Já não estava aconchegada no penhasco, mas sim sobrevoava os céus desesperados por um acolher de sobriedade…

As minhas vestimentas brancas, soltaram-se do meu corpo e limparam a lágrima da Lua…

Estonteada tornei-me em asas puras e cintilantes...

Sentei-me na mão da Lua, e pedi para não deitar mais nenhuma lágrima…

Apesar da minha nudez, o meu corpo ardia como fogo..

Fiquei embriagada pela beleza pormenorizada daquela que nos ilumina todas as noites…

Leve como uma pena, amanheci junto ao penhasco, a minha pele era brilhante, os meus olhos irradiavam nobreza, e o sorriso transbordava soluços de lucidez…!

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