Caminhei sem rumo, sem relógio, sem pensamento. Fiz-me à estrada, procurando o desconhecido…
Sentei-me num penhasco, com caneta e papel apenas…
Quis escrever algo à Lua...
Pretendia que esta me invocasse a submergir na plateia de cores, que à minha frente avistava...
Mudei de ideias e quis rasurar na própria Lua…
Ela sorriu-me…
Repentinamente fez-se Lua fora de data...
Deixou-me á vontade para colori-la e rasurá-la conforme o meu indicador assim pretendesse…
Imaginei algo excêntrico, mas logo apercebi-me que algo simples, requer simplicidade…
Com os rasgos alaranjados e avermelhados visíveis sob a barra do Oceano, o meu olhar pincelou um tom acastanhado no que eu considero ser um fenómeno planetário…
Posteriormente, o meu coração entrou em explosão comigo mesma, e lancei labaredas vermelhas…
A Lua soltou uma lágrima…
Como um acto de magia, surpreendi-me pela leveza do meu corpo…
Já não estava aconchegada no penhasco, mas sim sobrevoava os céus desesperados por um acolher de sobriedade…
As minhas vestimentas brancas, soltaram-se do meu corpo e limparam a lágrima da Lua…
Estonteada tornei-me em asas puras e cintilantes...
Sentei-me na mão da Lua, e pedi para não deitar mais nenhuma lágrima…
Apesar da minha nudez, o meu corpo ardia como fogo..
Fiquei embriagada pela beleza pormenorizada daquela que nos ilumina todas as noites…
Leve como uma pena, amanheci junto ao penhasco, a minha pele era brilhante, os meus olhos irradiavam nobreza, e o sorriso transbordava soluços de lucidez…!
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